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Aprender mandarim é fácil ou difícil? - SEM DEMAGOGIA




Já há muitos artigos que exploram à exaustão as facilidades do aprendizado do mandarim em relação ao do português (ausência de gênero e de conjugação verbal, gramática "simples", etc...). Com exceção da gramática "fácil", posso dar testemunho das outras duas facilidades. 

Eu mesmo já afirmei que a gramática chinesa é fácil. De fato, se tomarmos a gramática do português como referência, é bem provável que a equivalente chinesa seja bem mais acessível; no entanto, como demonstrei na aula de apresentação do curso de gramática chinesa, os objetos de estudo e os conceitos abordados na gramática do mandarim são bem diversos daqueles aos quais estamos acostumados. Eis alguns exemplos:

- Princípio da proporcionalidade.
- Palavras pertencentes concomitantemente a diversas classes gramaticais. 
- Estrutura flexíveis e inflexíveis.
- Ideogramas identificadores da classe gramatical.

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O Los Angeles Times publicou recentemente uma matéria intitulada Learning Mandarin is really, really hard — even for many Chinese people (aprender mandarim é muito... muito difícil - mesmo para muitos chineses), na qual David Moser, especialista em língua chinesa, lista uma série de dificuldades e problemas inerentes ao estudo do idioma e até ao próprio conceito da sua existência como unidade substancial. Concordando ou não com a conclusão final, já expressa no título da matéria, é proveitoso darmos atenção às questões levantadas pelo professor Moser, as quais listarei sistematicamente abaixo:

1. A quebra do circuito leitura-fala-escrita

Nas línguas que somos mais familiarizados, como o inglês, o espanhol e o francês, o circuito fechado leitura-fala-escrita não costuma ter muitos entrecortes e discrepâncias, de modo que, não importa qual o foco que adotemos, quase sempre acabaremos por desenvolver as outras habilidades de algum modo, ou seja, há uma ligação muito mais orgânica entre a língua escrita e a falada. Já na língua chinesa, assim como acontece em certo grau com o japonês, a forma escrita da língua não revela tanto a respeito do modo como as palavras devem ser lidas: há uma espécie de barreira entre os caracteres e os seus respectivos modos de leitura.

De fato, o problema existe, e não é à toa que o 拼音 (China),注音 (Taiwan) e ローマ字 (Japão) ajudam tanto no aprendizado do mandarim e do japonês, respectivamente. Felizmente, como demonstro nas minhas aulas sobre a Lógica da Formação dos Ideogramas e no curso de gramática da língua chinesa que atualmente ministro, é possível localizar,, nos próprios ideogramas, alguns elementos que sugerem as suas pronúncias. Portanto, a dificuldade pode ser amenizada e, depois de aprendidos os macetes, o problema já não assusta tanto.

2. A atordoante multiplicidade linguística
Outro ponto levantado pelo professor Moser é a dificuldade que os estrangeiros e até mesmo os chineses têm em se adaptar aos diferentes modos de falar do mandarim, muitos dos quais não passam de um ajuntamento confuso entre o utópico Putonghua e algum outro dialeto. 

No entanto, eu não superestimaria esse problema. Já estive onde o Judas chinês perdeu as botas, mas sempre, de um modo ou de outro, com maior ou menor dificuldade, consegui me comunicar razoavelmente com os habitantes locais. 
请讲普通话 方便你我他 (Por favor, fale Putonghua e facilite para todo o mundo) O governo chinês tem feito um grande esforço para disseminar o Putonghua (língua comum; ou "mandarim padrão").

Alguns chineses, principalmente os mais velhos, falavam um mandarim terrível, mas me compreendiam muito bem; afinal, todo o mundo tem uma televisão com CCTV em casa. Talvez o problema se manifeste com mais intensidade em regiões como o Tibet ou Xinjiang, mas não estive por aquelas bandas.

Resumo da ópera: se eu consegui, vocês conseguem também.

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