China passa a proibir celulares em escolas e campus

Capa editorial sobre restrições ao uso de celulares nas escolas chinesas
Ilustração editorial: Chinês Já.
Educação e comportamento digital

Uma nova regra que entra em vigor em Chongqing permite que escolas proíbam alunos de levar celulares e outros terminais inteligentes para o campus ou de usá-los dentro da escola. O detalhe importante é geográfico: a medida é municipal, não uma proibição nacional automática para todas as escolas da China.

Onde: município de Chongqing, no sudoeste da China
Quando: a norma passa a valer em 1º de setembro de 2026
O que permite: restringir celulares e outros dispositivos inteligentes no campus
Contexto: a regra integra um regulamento de prevenção da delinquência juvenil
Alunos se preparam para entrar em uma escola de Pequim
Alunos se preparam para entrar no campus da Escola Primária Dengshikou, em Pequim. Foto: Ren Chao/Xinhua.

O que a norma realmente diz

A redação divulgada pela imprensa chinesa afirma que as escolas podem impedir a entrada ou o uso de celulares e outros terminais inteligentes e controlar com rigor o acesso dos estudantes à internet no campus. Isso dá às instituições uma base local mais clara para estabelecer regras, mas ainda exige que cada escola explique como fará a guarda, a devolução e as exceções.

A medida aparece dentro de um regulamento mais amplo de prevenção de infrações cometidas por menores. O texto prevê responsabilidades de família, escola e serviços públicos, além de intervenções graduais. Portanto, reduzir a norma a uma simples “guerra ao celular” apaga o contexto em que ela foi aprovada.

China e Brasil escolheram caminhos parecidos, mas não idênticos

No Brasil, a Lei 15.100/2025 restringiu o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes da educação básica durante aulas, recreios e intervalos. A lei brasileira prevê exceções para fins pedagógicos, acessibilidade, inclusão, saúde e garantia de direitos fundamentais.

PontoChongqingBrasil
AbrangênciaRegra municipal que autoriza a escola a proibir entrada ou usoLei federal para escolas públicas e privadas da educação básica
Uso pedagógicoDepende das regras operacionais da escolaPermitido quando orientado pelo profissional de educação
ExceçõesPrecisam ser detalhadas pela instituição e normas complementaresIncluem acessibilidade, inclusão e saúde
FocoUso no campus e prevenção de riscos envolvendo menoresProteção da saúde e do processo de aprendizagem
Estudantes participam da cerimônia de abertura do ano letivo em escola de Pequim
Cerimônia de abertura do ano letivo em uma escola de Pequim. Foto: Li Xin/Xinhua.
Alunos chineses estudam em sala de aula em Nanning
Alunos em sala na Escola Primária Binhu Road, em Nanning. Foto: Lu Bo'an/Xinhua.

Guardar o aparelho é apenas metade da solução

Uma regra funciona melhor quando o aluno sabe onde deixa o telefone, quando pode recuperá-lo e como a família entra em contato em uma emergência. Armários, envelopes numerados e caixas por turma resolvem a logística de maneiras diferentes, mas todos exigem responsabilidade sobre perda e dano.

Também existe uma questão pedagógica. Tirar o celular da mesa reduz interrupções, mas não ensina sozinho a lidar com notificações, boatos, jogos e pressão social. Escolas precisam combinar limites claros com educação digital, especialmente porque o aparelho volta para a mão do jovem fora do campus.

O que observar a partir de setembro

As regras adotadas por escolas de Chongqing mostrarão se haverá armazenamento obrigatório, autorização escrita da família ou exceções por idade e necessidade. Esses detalhes serão mais úteis para a comparação com o Brasil do que a palavra “proibição” isolada.

Também será importante observar resultados além da disciplina: concentração, convivência, procura por apoio psicológico e capacidade de usar tecnologia de forma consciente. Uma política que só muda o lugar do telefone, sem medir aprendizagem e bem-estar, conta apenas parte da história.

Fontes e leitura complementar

Dados e regras podem mudar. A matéria distingue informações confirmadas de hipóteses ainda em investigação.