China passa a proibir celulares em escolas e campus

Uma nova regra que entra em vigor em Chongqing permite que escolas proíbam alunos de levar celulares e outros terminais inteligentes para o campus ou de usá-los dentro da escola. O detalhe importante é geográfico: a medida é municipal, não uma proibição nacional automática para todas as escolas da China.

O que a norma realmente diz
A redação divulgada pela imprensa chinesa afirma que as escolas podem impedir a entrada ou o uso de celulares e outros terminais inteligentes e controlar com rigor o acesso dos estudantes à internet no campus. Isso dá às instituições uma base local mais clara para estabelecer regras, mas ainda exige que cada escola explique como fará a guarda, a devolução e as exceções.
A medida aparece dentro de um regulamento mais amplo de prevenção de infrações cometidas por menores. O texto prevê responsabilidades de família, escola e serviços públicos, além de intervenções graduais. Portanto, reduzir a norma a uma simples “guerra ao celular” apaga o contexto em que ela foi aprovada.
China e Brasil escolheram caminhos parecidos, mas não idênticos
No Brasil, a Lei 15.100/2025 restringiu o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes da educação básica durante aulas, recreios e intervalos. A lei brasileira prevê exceções para fins pedagógicos, acessibilidade, inclusão, saúde e garantia de direitos fundamentais.
| Ponto | Chongqing | Brasil |
|---|---|---|
| Abrangência | Regra municipal que autoriza a escola a proibir entrada ou uso | Lei federal para escolas públicas e privadas da educação básica |
| Uso pedagógico | Depende das regras operacionais da escola | Permitido quando orientado pelo profissional de educação |
| Exceções | Precisam ser detalhadas pela instituição e normas complementares | Incluem acessibilidade, inclusão e saúde |
| Foco | Uso no campus e prevenção de riscos envolvendo menores | Proteção da saúde e do processo de aprendizagem |


Guardar o aparelho é apenas metade da solução
Uma regra funciona melhor quando o aluno sabe onde deixa o telefone, quando pode recuperá-lo e como a família entra em contato em uma emergência. Armários, envelopes numerados e caixas por turma resolvem a logística de maneiras diferentes, mas todos exigem responsabilidade sobre perda e dano.
Também existe uma questão pedagógica. Tirar o celular da mesa reduz interrupções, mas não ensina sozinho a lidar com notificações, boatos, jogos e pressão social. Escolas precisam combinar limites claros com educação digital, especialmente porque o aparelho volta para a mão do jovem fora do campus.
O que observar a partir de setembro
As regras adotadas por escolas de Chongqing mostrarão se haverá armazenamento obrigatório, autorização escrita da família ou exceções por idade e necessidade. Esses detalhes serão mais úteis para a comparação com o Brasil do que a palavra “proibição” isolada.
Também será importante observar resultados além da disciplina: concentração, convivência, procura por apoio psicológico e capacidade de usar tecnologia de forma consciente. Uma política que só muda o lugar do telefone, sem medir aprendizagem e bem-estar, conta apenas parte da história.
Fontes e leitura complementar
Dados e regras podem mudar. A matéria distingue informações confirmadas de hipóteses ainda em investigação.