Como aprender mandarim mais rápido e com mais eficácia


Um dos motivos pelos quais criei o Chinês Já foi ajudar os brasileiros que, assim como eu, começam seus estudos na língua chinesa depois da infância. É fato que aprender desde criança torna tudo muito mais fácil, pois o cérebro infantil está muito mais aberto ao estudo de línguas. No entanto, não só é possível aprender chinês, independentemente da sua idade, como há muitos casos de brasileiros que chegaram à fluência começando os estudos aos 20 e até aos 30 anos de idade.

O primeiro obstáculo que devemos remover é psicológico, alimentado por informações exageradas sobre a dificuldade da língua e pelo nosso próprio susto ao ver um monte de caracteres desconhecidos.



1. Vencendo obstáculos psicológicos


1. Se já há tantos chineses no Brasil, como vou competir com eles no mercado de trabalho?


Primeiro de tudo, você esqueceu da sua própria vantagem: você domina a língua portuguesa, evidentemente, muito mais que a maioria dos estrangeiros. Em qualquer atividade que utilize o mandarim relacionada o Brasil, também será necessário alguém que conheça o Brasil e a língua portuguesa em profundidade.

2. Mas e os descendentes de chineses? Eles têm o português e o mandarim fluentes, como vou competir com eles?


Há uma grande diferença entre quem foi educado desde criança em mandarim e quem só fala mandarim em casa. Apesar de a pronúncia de quem nasceu em uma família de chineses costumar ser muito boa, a escrita e até a leitura podem não ser tão avançadas. Não é incomum ver alguém sem qualquer background familiar chinês falar, ler e escrever melhor que um sino-brasileiro. O conhecimento está no estudo, não está na genética.

Além disso, é preciso lembrar que há carência de profissionais que falem chinês, principalmente em áreas como engenharia, informática e tecnologia em geral, portanto não se preocupe tanto assim com a competição no mercado. Foque no estudo.

3. O chinês é muito complicado com todos aqueles ideogramas e tons. Não é para mim!


A dificuldade nas línguas estrangeiras depende da sua língua materna. O espanhol, por exemplo, é mais acessível aos brasileiros que o chinês não por causa de uma facilidade inerente à língua espanhola, mas devido à proximidade linguística entre Portugal e Espanha.

Se um extraterrestre chegasse à Terra para estudar línguas, provavelmente a língua portuguesa o deixaria tão desanimado quanto o mandarim.

4. Não tenho tempo para estudar mandarim.


A clássica falta de tempo... Estudar uma língua estrangeira é uma prática prazerosa e traz benefícios psicológicos e intelectuais de longo prazo, então por que não substituir um lazer inócuo por um lazer produtivo? Corte o tempo das novelas (aliás, jogue a sua televisão pela janela), do Netflix (ou assista a séries chinesas no Netflix), do futebol ou de qualquer outra atividade que consome muito tempo e não traz muitos benefícios.

Se você realmente está completamente tomado de atividades, utilize métodos de aprendizado alternativos, como escutar diálogos enquanto está no ônibus, no metro, na fila do banco etc. Se você pensar bem, encontrará um momento em que seus sentidos estão desocupados e você está parado em uma condução ou uma fila viajando na maionese.

5. Não tenho dinheiro para escolas de idiomas ou aulas particulares.


Em primeiro lugar, há muitos materiais disponíveis gratuitamente na internet, como aplicativos para estudar mandarim, livros em PDF para download e canais no Youtube como o Chinês Já. Com o devido esforço, você pode ser o seu próprio professor e criar o seu próprio método de estudo gastando 0.

No entanto, se você não quer passar pelo perrengue de aprender tudo por conta própria, eu sugiro que você realoque os seus recursos. Há quem diga que as pessoas ganham 100 reais para cada 1 real gasto com educação. Em vez de perguntar "quanto vou gastar aprendendo mandarim?", vamos inverter a pergunta: "quanto vou perder por não saber mandarim?".

Não quero ser hipócrita ou dar uma de coach de mandarim e te dizer que é fácil e basta querer. Ninguém nunca prometeu que a vida seria igualitária. Uns tem recursos para ir à China e frequentar as melhores universidades, outros precisam ler ou escutar aulas enquanto sentam a bunda por duas horas no ônibus. É preciso compreender que não há dinheiro no mundo que compre o poder da inteligência humana, a força que nos faz ultrapassar obstáculos com engenhosidade e criatividade. Como diria Gandalf: "não nos cabe decidir como será a nossa situação; o que nos cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado".

Agora que já colocamos de lado alguns obstáculos, vamos ver algumas dicas de quem, modéstia à parte, entende do assunto.


2. Definindo o seu método de estudo

É verdade que não há uma maneira de estudar fixa para todas as pessoas. No entanto, há alguns princípios básicos que podem servir de base para a construção de qualquer método de estudo:

1. Decorar ou entender?


Muitos norteiam o seu aprendizado pela máxima "o importante não é decorar, é entender". A primeira pergunta que me surge é "entender o quê?". Se o entendimento se dá a partir de uma interpretação da depuração de constantes percebidas por meio do acúmulo de experiências, não vejo como essa afirmação possa ajudar alguém.

É fato que ninguém aprende nada sentado e repetindo frases sobre os quais não raciocina nem um pouco e talvez seja precisamente aí que está o sentido positivo daquela máxima. No entanto, não podemos cair na armadilha de tentar compreender sem ter material informativo e imaginativo. Seria como uma criança de 5 anos escrever um livro de filosofia a respeito do sentido da vida. Que experiência de vida e capacidades expositivas ela teria?

O primeiro princípio básico é justamente ordenar o processo de aquisição de informação, de depuração e de compreensão. O primeiro passo é acumular uma massa crítica de informação, depurando-a aos poucos até que se torne um conhecimento efetivo. Esse processo é repetido indefinidamente, de modo que as informações se tornam mais densas e o conhecimento cada vez mais preciso e robusto.

2. Por que você quer estudar mandarim?


Muitas pessoas me perguntam se devem estudar chinês simplificado ou tradicional, se devem focar na escrita ou na fala, se devem ir para a China Continental ou para Taiwan. Todas essas questões devem ser precedidas pelo entendimento do motivo pelo qual você quer estudar chinês.

Por exemplo, se você quer estudar chinês para ter uma ascensão profissional, o mais indicado é que você foque no estudo do chinês simplificado, esforçando-se para dominar a linguagem coloquial e para adquirir uma comunicação efetiva e clara. Se você quiser ser um erudito da filosofia chinesa, é mais indicado que você estude o chinês tradicional (ou ambos), pois as obras clássicas costumam ser examinadas pelos estudiosos na sua forma mais antiga.

É impossível estudar tudo ao mesmo tempo. Portanto, você precisa decidir o que é mais importante para você. Imagine-se no futuro e faça-se a pergunta: "o que eu gostaria de poder fazer com o meu chinês?".

3. Quais materiais devo utilizar?


Todos! Quem está no nível iniciante precisa acumular muita informação para poder ter algum progresso mensurável. Quanto aos livros didáticos para aprender mandarim, é preciso ler todos os que você conseguir. Por que se apegar a apenas um livro? Quanto tempo você leva para absorver bem as informações contidas em um livro didático, um mês, dois meses?

Além dos livros didáticos, você precisa focar em outras formas de aprendizado, como diálogos, filmes, seriados, doramas, podcasts como o ChinesePod e canais no Youtube como o Chinês Já. Se você não sabe qual método funciona para você, tente vários. Siga o conselho bíblico: "“Examinai de tudo e retende o que é bom".


3. Mantendo o ritmo



1. Tenha persistência e crie uma rotina de estudos


Não adianta estudar uma hora por semana ou apenas pensar no mandarim quando frequentar a sua aula semanal no curso. Nenhuma língua pode ser aprendida com um ritmo tão lento de estudos. Como foi dito acima, é possível cavar tempo na nossa vida diária, nem que seja para escutar áudios enquanto está no trânsito ou no metro. Nem que seja preciso se esconder no banheiro da empresa por 15 minutos por dia. Sempre há um caminho.

Além disso, você não pode parar de estudar ou tirar intervalos para "descansar". Como você está lidando com uma língua estrangeira que você possivelmente não é capaz de utilizar no dia-a-dia, a possibilidade de você esquecê-la progressivamente é muito alta. Mantenha sempre o contato com a língua, nem que seja por música, entretenimento etc.

2. Motive-se


Esteja sempre ligado àquilo que o fez começar a estudar mandarim. Visualize o seu sucesso para conseguir manter o foco. Também é indispensável que você exerça atividades relacionadas à língua nas quais você sente prazer. Você é quem sabe se é música, filmes, séries, história chinesa, filosofia, medicina chinesa ou kung fu.

3. Crie vínculos


A experiência do aprendizado de uma língua estrangeira costuma se dar por meio da simulação de situações hipotéticas, como compras no shopping, chamar a polícia ou brigar com um(a) parceiro(a) imaginário. Tudo isso é válido. No entanto, a memória que se consolida com mais rapidez é aquela advinda da experiência real, aquela que dói na carne ou nos faz morrer de rir.

Graças às maravilhas da internet, há uma série de ferramentas que podem colocá-lo em contato direto com chineses ou pessoas de qualquer outra parte do mundo em questão de minutos. Há, por exemplo, Apps em que você se conecta com um estrangeiro para que ambos ensinem suas respectivas línguas maternas.


Com todas essas dicas, o seu aprendizado provavelmente será muito mais frutífero. Se você tiver alguma pergunta sobre o aprendizado de mandarim, deixe nos comentários que eu farei o possível para responder.


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